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Segunda, 16 de maio de 2022
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Acidente com 19 mortes na BR-376 completa um ano: ‘cena difícil de esquecer’ (FOTOS)

Equipes de diversos locais participaram do atendimento

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O relógio marcava cerca de 10 minutos desde que o cabo Marcus Vinícius Ceschini havia chegado ao quartel do Corpo de Bombeiros Militar de Garuva, no Norte de Santa Catarina, para iniciar mais um plantão. Ele ainda conferia os materiais necessários para o trabalho quando o telefone tocou, dando início a um dos dias mais marcantes na memória dele e de outras pessoas do Sul ao Norte do país.

Era 25 de janeiro de 2021, o terceiro e último dia de viagem do ônibus da empresa TC Turismo, que levava 52 passageiros e dois motoristas do Pará a Santa Catarina.

Na bagagem, além das malas, havia a expectativa por uma vida nova, já que grande parte dos passageiros vinha ao Sul do país em busca de novas oportunidades de emprego, alguns levando toda a família no veículo.

O clima era de expectativa na manhã daquela segunda-feira. Antes de descer a chamada “Serra de Curitiba”, trecho da BR-376 que liga Paraná e Santa Catarina, o ônibus fez uma parada em um posto de combustíveis.

Lá, os passageiros, muitos dos quais não se conheciam antes da viagem, tomaram café animados pela chegada ao local em que buscariam nova vida. A alegria, no entanto, deu lugar ao desespero em poucos minutos, mais precisamente às 8h31.

Na descida da serra, em Guaratuba, em um trecho conhecido como “Curva da Santa”, o ônibus perdeu o controle no Km 668 da rodovia, saiu da pista, tombou sobre a lateral da via e ficou pendurado em uma ribanceira. Dezenove pessoas morreram e 33 ficaram feridas em um cenário de caos que os envolvidos ainda tentam esquecer.

“A gente recebeu a ligação informando que era um acidente grave, envolvendo múltiplas vítimas, que era um ônibus de dois andares. Conhecemos a região, a Curva da Santa tem um histórico grande de acidentes, então já fomos pensando em algo grave, mas não com tanta seriedade”, lembra o cabo Ceschini, um dos primeiros bombeiros a chegar ao local da tragédia.

Diversas vítimas e um terreno difícil

As cenas que se seguiram são difíceis de esquecer, tanto para as vítimas do acidente quanto para os diversos profissionais que trabalharam no resgate e socorro aos passageiros.

“Havia muitas vítimas ejetadas, muita gente pedindo ajuda. Até pra gente que já é treinado e está acostumado a ver esse tipo de acidente foi uma cena bem impactante”, lembra Ceschini.

Além da quantidade de vítimas a serem socorridas, outro fator que dificultou o socorro foi o local em que ocorreu o acidente. “Por se tratar de um terreno irregular, primeiramente precisávamos fazer a estabilização do veículo, que poderia sofrer algum tipo de movimentação”, explica o sargento Jean Ricardo Costa, comandante do quartel dos bombeiros militares em Garuva.

Curva da Santa, local do acidente, um ano depois da tragédia – Foto: Juliane Guerreiro/ND
Curva da Santa, local do acidente, um ano depois da tragédia – Foto: Juliane Guerreiro

Além disso, o terreno acidentado e escorregadio por causa da umidade tornou o resgate ainda mais desafiador. “As vítimas que precisaram ser salvas estavam em uma área ainda mais baixa. Tivemos que fazer o içamento com cordas para a equipe descer até o local e resgatar essas vítimas”, destaca Costa.

Prova de que o terreno tornou o atendimento mais difícil é que cães farejadores foram empenhados para buscar vítimas que pudessem ter sido ejetadas e ficado em meio à densa vegetação.

O cabo Ceschini relembra os primeiros minutos após a chegada da equipe de Garuva no local. “Eu era o chefe de socorro, era o líder da equipe, então tinha que pensar muito rápido e escolher as vítimas que ia atender primeiro. Como o terreno é acidentado, não tinha como atendermos dispersos, todos juntos tinham que atender vítima a vítima”, conta.

Força-tarefa para o socorro às vítimas

Equipes de diversos locais participaram do atendimento, a exemplo dos bombeiros militares de Santa Catarina e do Paraná, dos bombeiros voluntários de Joinville, do Samu e dos socorristas da Arteris Litoral Sul, concessionária que administra a rodovia.

Várias equipes foram acionadas para o socorro às vítimas do acidente – Foto: Ricardo Alves/NDTV
Várias equipes foram acionadas para o socorro às vítimas do acidente – Foto: Ricardo Alves
 

Aeronaves dos bombeiros militares e da Polícia Militar também foram empenhadas para levar as vítimas mais graves até as unidades hospitalares. E diante de tantas equipes trabalhando juntas, o planejamento foi essencial.

“Numa situação caótica como essa, o médico é a autoridade máxima na cena”, fala Costa. Já entre os bombeiros, assume a ocorrência quem tem a graduação mais antiga, conforme a chegada das equipes. “Um capitão de Guaratuba assumiu, solicitando recursos adicionais a quem necessitasse”, complementa.

As vítimas foram levadas para unidades de atendimento em Joinville, Garuva e Curitiba. Entre os sobreviventes, estão Andréa Lédo, que foi retirada do ônibus por um guincheiro que passava pelo local ainda antes da chegada das equipes, e Anderson Modesto, que passou mais de 50 dias internado até poder voltar ao Pará e reconstruir a vida.

Já para 19 famílias, o dia 25 de janeiro de 2022 deve trazer lembranças duras e uma saudade que um ano não é capaz de apagar. É o caso do caminhoneiro Lucas Lima: no dia do acidente, ele estava com o café da manhã na mesa esperando pelo irmão, a cunhada e os dois filhos do casal, que se mudariam para buscar oportunidades. Toda a família morreu.

Antônio, Geovana e as crianças Emanuelle e Carlos morreram no acidente – Foto: Arquivo pessoal/ND
Antônio, Geovana e as crianças Emanuelle e Carlos morreram no acidente – Foto: Arquivo pessoal
 

Um ano após o acidente, as cenas ainda são parte da memória dos bombeiros, embora tenham tido acompanhamento psicológico. “Estou com 13 anos de corporação e foi a primeira ocorrência dessa magnitude que eu atendi. Um acidente com múltiplas vítimas assim é marcante pra nós porque, antes de tudo, somos seres humanos”, destaca o sargento Costa.

Para o cabo Cesquini, um dos primeiros a chegar no local do acidente, o único modo de tornar as lembranças menos dolorosas é pensar em quem pôde ser salvo diante de uma tragédia tão grande. “É uma cena difícil de esquecer, mas a gente sempre tem que focar nas vítimas que foram salvas porque foi uma catástrofe”, diz.

 

 

 

Fonte/Créditos: ND

Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Alves/NDTV

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