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Segunda, 27 de setembro de 2021
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Santa Catarina

Amiga revela últimos momentos e polícia confirma causa da morte de adolescente em SC

Excesso de ciúmes, violência e consumo de drogas faziam parte do comportamento de Julio Knaul durante relacionamento 'possessivo"

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“Uma menina meiga, doce e muito dedicada. Não tem uma pessoa que não diga o mesmo dela”, assim é descrita Érica Scheidt, adolescente de 17 anos que foi morta pelo namorado no último domingo (5), em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, pela amiga Maria Lídia Kuster.

A pedagoga revela que esteve em contato com a vítima em seus últimos momentos, e tentou evitar que ela voltasse para casa, temendo os comportamentos agressivos do namorado de 21 anos, Julio César Knaul.

Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira (9) que a causa da morte da adolescente foi sufocamento por esganadura. Julio está detido no Presídio Regional de Lages.

O agente da Polícia Civil de Alfredo Wagner, Vanderlei Kanopf, informou que laudos complementares sobre a morte de Érica foram pedidos para a perícia.

Até o momento, não foram identificadas testemunhas oculares do crime.

“Ouviremos testemunhas que possam contribuir quanto a convivência pré evento fatal”, garante Kanopf.

Para definir a data de julgamento do auxiliar de serviços gerais Julio César Knaul ainda é preciso concluir o Inquérito Policial, que será enviado ao judiciário. As investigações seguem em andamento.

“Alegre, simpática, sempre sorrindo e amava a vida”

A pedagoga Maria Lídia Kuster conta que conhece a família de Érica desde a infância da vítima. Nos últimos tempos, a relação estava ainda mais estreita.

“Conhecia a Érica desde criança, sempre sorrindo e simpática com todos. Recentemente, eu procurava alguém pra tomar conta do meu filho na parte da tarde, ele completou um ano no dia 3 de setembro. Ela entrou em contato comigo, avisando que tinha interesse, então fizemos uma experiência de uma semana. Meu bebê gostou dela e eu também, era uma menina meiga, doce e muito dedicada”, relata.

Érica da Silva Scheidt, de 17 anos, foi vítima de feminicídio no último domingo (5), em Alfredo Wagner – Foto: Reprodução/Instagram
Érica da Silva Scheidt, de 17 anos, foi vítima de feminicídio no último domingo (5), em Alfredo Wagner – Foto: Reprodução/Instagram

Maria Lídia ressalta que Érica era muito querida por toda a família, e a notícia causou grande impacto para todos.

“Todos lá em casa adoravam ela, meu pai inclusive passou mal quando soube dessa brutalidade. Não tem uma pessoa que não diga o mesmo dela, que era uma menina alegre, simpática, sempre sorrindo e que amava a vida”.

Ciumento e possessivo: como era o relacionamento entre Julio e Érica

“Sempre que conversávamos, ela me contava que foi morar com o Júlio quando ainda tinha apenas 14 anos, que o pai dela fez uma casinha do lado da casa dele e foram morar ali. Ela sempre falou que o pai resistiu em aceitar o relacionamento, mas que no fim acabou cedendo”, revela a pedagoga.

Apurações preliminares da Polícia Civil indicaram que, nos últimos tempos, vizinhos haviam relatado “discussões ásperas” entre o casal.

Porém, em nenhum momento a adolescente ou vizinhos chegaram a registrar casos de violência, seja física ou verbal, por parte de Julio.

O comportamento agressivo é confirmado pela versão da amiga de Érica. “Desde o início ela dizia que o Júlio tinha muito ciúme, ela não podia colocar roupa justa, não podia se aproximar de ninguém”.

“Ele era ciumento e possessivo, não aceitava o fim do relacionamento. Ela relatou, e eu presenciei, que ele era muito rude e grosseiro até na forma de falar com ela”, complementa Maria Lídia.

Além disso, a amiga revela que o jovem costumava estar sob efeitos de drogas e álcool, sendo extremamente agressivo.

“Ela também me contou que ele há algum tempo estava fazendo uso de drogas e bebia todas as noites. Eu mesma acabava dizendo que ela não merecia isso.

Medo, mentiras e agressões: como foram os últimos dias antes do crime

Maria Lídia Kuster revela a evolução gradativa da tensão que envolveu os últimos dias da vida de Érica, em um final de semana em que Julio demonstrava desequilíbrio.

“Na sexta-feira (3) eles foram em um jogo de futebol, onde o Julio bateu em um colega dela por ciúmes. Quando chegaram em casa ela mandou ele ir embora. Ela me contou que ele foi dizendo que ela ia pagar por isso”.

Nos dias seguintes, Érica esteve na casa de Maria Lídia. “No sábado (4) foi aniversário do meu filho, ela foi de manhã pra me ajudar, sempre disposta e sorrindo, conhecia todo mundo, cumprimentava todos, sem exceção”.

Já no domingo (5), dia da morte de Érica, a adolescente voltou, aos prantos. “De manhã ela apareceu lá em casa novamente, chorando, porque o Julio dormiu do lado de fora da casa dela, ameaçando bater no pai dela e dizendo que ia se matar”.

A amiga conta que tentou evitar que o pior acontecesse, mas sem sucesso. “Então eu e minha mãe sugerimos que ela chamasse a polícia, mas ela resistiu e disse que ele não ia ter coragem de fazer nada com ela, apesar de ter chegado lá com nariz branco do consumo de drogas. Convidei ela pra dormir lá em casa uns dias até ele se acalmar, mas ela não quis.”

A adolescente chegou até a inventar uma mentira para “driblar” a preocupação da amiga. “Ela quis ir pra casa, eu não deixei, disse que ela iria só se ligasse pro pai dela, então ela ligou e disse que ele já tinha ido embora. Então deixamos ela ir. Só que depois ficamos sabendo que não tinha ligado, ela mentiu pra mim.”

 

Além disso, os problemas que o casal enfrentava ainda eram desconhecidos pela família da vítima, como revela Maria Lídia.

“Ela não tinha nem falado para o pai dela que eles estavam se separando. Ninguém da família sabia, só nós aqui de casa.”

Boatos de traição tentam “justificar” o feminicídio

A pedagoga ressalta, ainda, que rumores de que Érica teria traído o namorado seria o principal motivo para que Julio cometesse o crime.

“Ela me falava que os amigos davam em cima dela, ela até mostrava as mensagens que eles mandavam pra ela, mas sobre traição eu desconheço”, afirma.

No entanto, Maria Lídia reforça que as tentativas para justificar o crime não mudam um “fim revoltante e trágico”, como deixou claro em uma publicação em sua conta pessoal no Instagram, na tarde desta quinta, destacando que “a culpa não foi dela”.

A CULPA NÃO FOI DELA !!!!
Vivemos em uma sociedade de cultura machista onde se procura uma justificativa quando se trata de um crime contra mulher!
A mulher não é um objeto do homem, não pertence a ele para que ele decida o que fazer e a que hora quiser, muito menos tem o direito de lhe tirar a VIDA!
Agora tentam buscar justificativa para um crime tão cruel e frio, como se mudasse um fim que é revoltante e trágico.
A culpa não foi dela!
A CULPA FOI DO ASSASSINO CRUEL, QUE SE ACHOU NO DIREITO DE TIRAR UMA VIDA.
#aculpanãofoidela
#queajustiçasejafeita

 

 

 

 
 

 

Fonte/Créditos: ND MAIS

Créditos (Imagem de capa): Foto: Reprodução/Instagram

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