Portal Expresso

Segunda, 02 de agosto de 2021
MENU

Mundo

FOTOS: Após inundações históricas, com ao menos 165 mortos, Alemanha discute lições da tragédia

Em meio a questionamentos quanto à eficácia de sistemas de alerta, autoridades discutem preparação para desastres e proteção climática.

523
Imagem de capa

Imagens

A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Enquanto a situação em áreas devastadas pelas piores inundações em décadas no oeste da Alemanha se acalma, intensifica-se no país o debate político sobre as consequências da catástrofe para a proteção contra as mudanças climáticas e desastres do tipo. O número de mortos na tragédia chegou a 165 nesta segunda-feira (19/07).

Os esforços para encontrar mais vítimas e limpar o rastro de destruição deixado pelas enchentes – que atingiram não apenas o oeste da Alemanha, mas também o leste da Bélgica e a Holanda – continuam nesta segunda. Na Alemanha, os estados da Renânia-Palatinado e da Renânia do Norte-Vestfália foram os mais atingidos.

Em meio a críticas às medidas para proteger a população, políticos defenderam os preparativos para enchentes, mas reconheceram que precisarão aprender com as lições deixadas pela tragédia.

As chuvas torrenciais que fizeram com que rios transbordassem rapidamente na última quarta-feira haviam sido previstas, mas aparentemente alertas sobre os potenciais danos catastróficos não chegaram a muitas pessoas.

"Assim que fornecermos a ajuda imediata, teremos que analisar: houve coisas que não funcionaram bem? Houve coisas que deram errado? Então, elas precisariam ser corrigidas", disse o ministro da Economia, Peter Altmaier, ao jornal Bild. "Não se trata de apontar culpados, se trata de melhorias para o futuro."

Sirenes destruídas

O chefe da agência de proteção civil alemã (BBK, na sigla em alemão), Armin Schuster, afirmou que o serviço meteorológico "previu relativamente bem" e que o país estava bem preparado para inundações de seus principais rios. No entanto, Schuster afirmou à emissora ZDF neste domingo que o problema é que "meia hora antes, muitas vezes não se sabe que lugar será atingido com que volume de chuva".

Ele afirmou que a BBK enviou 150 alertas por meio de aplicativos e da mídia. Ao mesmo tempo, disse que ainda não é possível dizer em que locais as pessoas foram alertadas por meio de sistemas de sirenes e que isso ainda será apurado. No momento, porém, é hora de se concentrar nos esforços de resgate a ajuda aos atingidos, disse.

Schuster disse ser necessário manter um sistema misto de alerta, com alertas digitais e sirenes. Segundo ele, um programa de 90 milhões de euros deveria permitir que sirenes fossem instaladas "nos locais adequados" pelo país, mas que o valor não será suficiente. "É um projeto para vários anos", afirmou.

Autoridades no estado alemão mais atingido, a Renânia-Palatinado, afirmaram que estavam bem preparadas para enchentes e que municípios haviam sido alertados e agiram. Mas em visita com a chanceler federal Angela Merkel ao duramente atingido vilarejo de Schuld, o secretário do Interior do estado, Roger Lewentz, afirmou: "Obviamente tivemos o problema de que a infraestrutura técnica, como eletricidade, foi destruída de uma só vez."

Autoridades locais tentaram reagir rapidamente, disse Lewentz. "Mas foi uma explosão de água em instantes. Você pode ter os melhores preparativos e sistemas de alerta, mas se o equipamento de alerta é destruído e arrastado junto com construções, então a situação é muito difícil."

"A proteção climática não é uma questão ideológica"

Nesta segunda, a candidata a chanceler federal pelo Partido Verde, Annalena Baerbock, defendeu que o governo federal desempenhe um papel maior de coordenação em catástrofes como inundações e incêndios florestais.

"O segundo ponto é que precisamos de medidas de adaptação ao clima", disse a candidata no programa televiso Morgenmagazin.

Sobre a proteção da população, Baerbock afirmou à revista Der Spiegel: "Ajuda só funciona quando tudo está interligado. Para isso, é necessária uma instância que congregue todas as forças, que reúna o mais rápido possível helicópteros ou equipamentos especiais de toda a Alemanha ou de países vizinhos da União Europeia."

A candidata também defendeu que os sistemas de alerta sejam melhorados, que cidades passem por reformas e que rios tenham mais espaço para fluir. "Não se trata de decidir entre precaução climática, adaptação climática e proteção climática, mas de uma tríade, que é está prevista em todos os tratados de proteção climática mundo afora."

Também o governador da Baviera e chefe da União Social Cristã (CSU), Markus Söder, defendeu mais medidas e financiamento contra as mudanças climáticas. Para ele, a proteção climática não é uma questão ideológica, mas uma questão de razão e ética. Trata-se de proteger mais a Alemanha e de pensar em que mundo se quer deixar para filhos e netos, disse.

Ao visitar a pequena cidade de Schuld no domingo, Merkel também afirmou que as autoridades trabalharão para "consertar" tudo "nesta bela região, passo a passo" e que seu governo vai aprovar um programa de ajuda estatal imediata na próxima semana.

O ministro das Finanças, Olaf Scholz, disse ao jornal Bild am Sonntag que mais de 300 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) serão necessários imediatamente. Segundo Scholz, o custo total de reconstrução, considerando enchentes anteriores, deve ficar na casa dos bilhões de euros.

"Felizmente, a Alemanha é um país que pode administrar isso financeiramente", disse Merkel, que deve deixar o cargo em setembro, após quase 16 anos. "A Alemanha é um país forte e vamos enfrentar essa força da natureza no curto prazo - mas também no médio e longo prazo, por meio de uma política que preste mais atenção à natureza e ao clima do que fizemos nos últimos anos", disse a chanceler federal.


Fonte/Créditos: DW.COM

Créditos (Imagem de capa): DW.COM

Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )